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Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas, e ele incitou a Davi contra eles, dizendo: Vai, levanta o censo de Israel e de Judá (2 Sm 24.1).

Então, Satanás se levantou contra Israel e incitou a Davi a levantar o censo de Israel (1 Cr 21.1).

Não é difícil entender o significado destas passagens. Deus, na sua soberania, muitas vezes se utiliza de instrumentos variados para executar a Sua vontade. Ele não é o autor do mal e nem pode ser tentado pelo mesmo (cf. Tg 1.13-15), porém, muitas vezes Ele se utiliza de pessoas boas ou más, anjos bons ou ruins para executar os Seus desígnios. Deus é soberano. É por isso que podemos entender sem contradição alguma estas passagens quando dizem que Deus incitou a Davi (2 Sm 24.1) ou Satanás incitou a Davi (1 Cr 21.1). Quem incitou Davi, Deus ou Satanás? Os dois. Satanás foi um instrumento de Deus para fazer o que Ele queria que fosse feito. Satanás não faz nada sem o consentimento de Deus. Você se lembra quando ele quis tentar Jó? Ele não pôde ir além do que Deus permitiu que ele fosse.
Quem quis que o recenseamento do povo fosse feito, Deus, Satanás ou Davi? Os três!
Teve Deus, Satanás e Davi as mesmas motivações para o levantamento do censo? Não. Satanás, por exemplo, visa sempre a destruição dos filhos e filhas de Deus. Deus, por sua vez, visa a correção para aperfeiçoamento de Seu povo porque Ele é amor. Veja 2 Sm 24.14.
Contudo, algumas coisas precisam ser esclarecidas. Por que Deus se irou contra o povo e por que incitou Davi a levantar o censo?
A passagem em questão não especifica, mas tudo indica que Israel e Judá mais uma vez pecaram contra Deus. A expressão Tornou a ira do SENHOR a acender-se contra os israelitas... significa mais uma indignação de Deus contra mais um pecado do povo. O capítulo 21 do segundo livro de Samuel apresenta o resultado do penúltimo deles. Mas desde a saída do Egito até então não foram poucas as vezes que o povo provocou a ira do Senhor.
Incitar a Davi, isto é, estimular seu coração para contar o povo foi a maneira que Deus encontrou para executar juízo e justiça contra Israel e Judá. Que sentimento surgiu no coração de Davi para fazer o recenseamento do povo? Não podemos precisar ao certo. Basta saber que uma das definições do verbo incitar é "enraivecer". É provável que enraivecido com o povo (por alguma razão que desconhecemos) Davi resolveu contá-lo. Mas o que esta raiva tinha a ver com o levantamento do censo? E por que Davi sofreu as conseqüências desse pecado se ele foi instigado por Deus?
Davi era o representante legal do povo. Normalmente em Israel o povo expressava a devoção do seu rei. Quando o rei temia a Deus, o povo também temia. Quando o rei pecava contra Deus, o povo também pecava. A história dos reis de Judá e Israel é abundante neste particular.
Mas se foi o próprio Deus quem incitou a Davi, por que então ele foi responsabilizado pelo levantamento do censo? E que mal havia em fazer tal levantamento?
A primeira coisa que devemos ter em mente é que a soberania de Deus não anula a responsabilidade humana. O próprio Davi destacou este fato quando
chamou para si a responsabilidade do que havia feito (2 Sm 24.10,17). Davi também quis fazer o recenseamento e se arrependeu com o que fez. Por isso, quando Deus se mostrou benígno para com a terra, seu perdão se estendeu a Davi também (2 Sm 24.18-25).
Que a soberania de Deus não anula a responsabilidade humana está claro em passagens bíblicas como, por exemplo, Lucas 22.22 e Romanos 9. 14-18. A soberania de Deus e a responsabilidade humana é uma verdade bíblica que infelizmente muitos crentes ainda não compreenderam. Davi e o povo não eram inocentes. Todos eles foram punidos por seus erros, como nós também o somos.
E por que Davi pecou por fazer o levantamento do censo? É porque Deus havia dito a Abraão que a sua descendência seria incontável (Gn 15.5; 22.17). E mesmo quando fosse preciso fazer um recenseamento, alguns critérios básicos deveriam ser observados, conforme Êxodo 30.11-16.
De qualquer forma, a maneira como Davi fez o recenseamento não agradou ao Senhor.
Rev. Josivaldo de França Pereira

 
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